Quando aprendi a velha máxima “amigos amigos, negócios à parte

 

Depois de terminar o curso de iniciação e avançado no IPJ – Instituto Português da Juventude, estava eu a dar os primeiros passos na fotografia, mantendo, claro, o meu trabalho publicitário da altura. Tive um cliente… bem, na realidade eram uns amigos meus da faculdade que tinham uma agência publicitária chamada Dice. Não deixavam de ser clientes, mas o contacto foi mais fácil por sermos conhecidos, e, consequentemente, também veio a lição que aprendi (ainda bem, no início da minha carreira enquanto fotógrafa).

Fiz o primeiro trabalho para eles: fotografar um bar na praia. Era um trabalho simples, fotografava, entregava os rolos, eles tratavam das revelações e de todo o resto inerente ao trabalho. Correu tudo bem.

Mais tarde, quando já estudava no IPF – Instituto Português de Fotografia, voltei a fazer mais um ou dois trabalho para eles.

A certa altura, pediram-me um orçamento para fotografar umas peças. Eu não tinha material, estúdio, condições para fotografar em ciclorama, nem conhecimento para fazer um bom trabalho, por isso disse abertamente que não podia aceitar o projecto porque não tinha como o fazer da melhor maneira possível.

A Isabel, uma das sócias e boa amiga, ligou-me com uma questão e disse que ela própria ia fazer as fotos com uma máquina (foleira) que tinha. Eu como amiga disse-lhe

 

oh Isabel, se é para isso, eu ajudo-te e certamente ficará melhor do que se fizeres com esse “bacalhau”.

Assim fiz. Fui para a Dice e fiz as fotos com as condições que tínhamos. Foi um desenrasque, mas ficaria sempre melhor. Claro que não houve pagamento – estava a ajudar uma amiga.

Passou algum tempo. Num jantar de amigos da faculdade, o Joaquim, o outro sócio disse-me:

 

Carlota, vou-te pedir um trabalho fotográfico, mas vê lá, não faças a “m*”#”*” que fizeste nas peças.

Dito num tom de riso, mas…fogo, aquilo caiu-me mesmo mal.

Fui ajudar a minha amiga porque ela estava enrascada e ia fazer as coisas mal, pelo menos eu iria fazer um pouco melhor. Um trabalho que eu tinha recusado e explicado abertamente que não tinha condições para fazer perfeito.

Respondi-lhe:

Oh Joaquim, deves estar a brincar comigo!!!!! Eu perdi um dia inteiro a desenrascar-vos, não vos cobrei nada, fiz um favor, e tu vens dizer isto?!?!

Fiquei mesmo chateada, mas serviu-me de lição: Nunca mais “desenrasquei” ninguém, nem faço trabalhos para desenrascar. Ou dá para fazer bem, ou não faço. 

No fim, ninguém sabe em que condições ou como as coisas foram feitas, só vêm o produto final!

Actualmente, ainda trabalho com a Dice e continuamos a darmo-nos todos bem. Acho que o Joaquim nem se apercebeu como aquilo me caiu mal, nem do bem que me fez 😉

Até à próxima

Carlota Leitão

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